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11/02/2010 11:00

Correio Popular
Trabalhadores ‘descobrem’ financiamento de reformas

Os trabalhadores conhecem bem os financiamentos habitacionais disponíveis no mercado para compra de imóveis.

Mas no ano passado eles começaram a descobrir que podem, também, conseguir dinheiro para materiais utilizados em reformas e construções. Um indicativo desse movimento foi o aumento de mais de cinco vezes nos recursos liberados por meio do Construcard, programa da Caixa Econômica Federal, na região de Campinas. A superintendência local liberou R$ 62,475 milhões ante os R$ 10,253 milhões em 2008. Os tomadores de empréstimo podem comprar de materiais básicos de construção até itens mais sofisticados.
Do outro lado do balcão, os lojistas perceberam que o aumento da renda da população de classe C elevava os negócios no setor e apostaram nos financiamentos para alavancar as vendas. A Caixa Econômica Federal registrou uma ampliação de 73,3% na quantidade de estabelecimentos credenciados no produto oferecido pelo banco estatal. No início de 2008, a instituição registrava 600 parceiros e, no final do ano passado, eram 1.040 comerciantes que ofereciam a linha de crédito. A Caixa quer ampliar muito a base de lojas que aceitam o Construcard. A estratégia é intensificar a apresentação das linhas de financiamento para os empresários.
O produto é apontado por comerciantes e consumidores como uma boa forma de conseguir dinheiro barato para a reforma ou construção de imóveis. Embora existam gargalos que, segundo lojistas e tomadores de empréstimos, devem ser melhorados. Um deles é a agilização do prazo de aprovação do crédito, que demora entre 15 e 20 dias, quando o comprador não solicita com antecedência o recurso em uma agência da instituição. Quem vai ao banco antes de ir às compras, em geral, consegue a liberação mais rapidamente. A pessoa também deve abrir uma conta corrente no banco, se ainda não usar os serviços da instituição financeira, por meio da qual serão debitados os valores do financiamento.
A superintendente regional da Caixa, Fátima Aparecida de Abreu Oliveira, afirmou que o produto cresce ano a ano e deverá ter uma participação ainda maior nos negócios do banco. Ela destacou que o cartão do Construcard traz vantagens para os consumidores e os lojistas. “As vendas são realizadas como um valor pago à vista, o que gera desconto no custo total dos consumidores. O comerciante recebe o valor no ato da venda”, explicou. A superintendente frisou que o contratante pode parcelar em até 60 vezes e os juros variam de 1,57% mais a TR (Taxa Referencial) a 8,16% ao ano, dependendo da linha e do valor emprestado.
Fátima prevê que o crescimento da economia nacional, a expansão do mercado imobiliário e o incremento da renda da população vão gerar mais negócios com o Construcard. Ela aposta ainda na tática do banco em apresentar o produto aos lojistas da região, que ainda não trabalham com o cartão, para angariar mais credenciados e capilarizar a rede de estabelecimentos que operam a linha de crédito. “Atualmente, a carteira de lojas credenciadas tem desde empresários que vendem produtos básicos da construção, até outros que comercializam produtos mais sofisticados como móveis planejados”, comentou.
Comércio
Para o comércio de construção civil e acabamentos, as linhas de financiamento disponíveis no mercado, seja pelo Construcard ou outras instituições financeiras, se transformaram em uma importante ferramenta para estimular as vendas. “Pelo menos 30% do que comercializo na loja é vendido por meio de financiamento. O Construcard responde por 15%”, apontou o proprietário da Comercial Ferrofer, Marcos César Credezi. Ele comentou que é credenciado no programa desde que foi lançado, há mais de dez anos. “A vantagem do lojista é receber à vista e ter todas as garantias da Caixa. O banco cobra um percentual sobre cada venda que é paga com o cartão”, disse.
A gerente do Depósito Santa Odila, Ana Lúcia Plache, considerou que o cartão é benéfico para quem vende e quem compra. Ela apenas frisou que o único gargalo é a demora na aprovação do crédito para o consumidor que vai diretamente à loja, antes de firmar o acordo com a instituição financeira. “O prazo gira entre 15 e 20 dias”, disse a comerciante, ao comentar que o consumidor tem uma carência de seis meses para começar a pagar à Caixa o empréstimo. Ana Lúcia disse que a loja realiza, por mês, uma média de dez vendas por meio do Construcard. “Ainda há um grande potencial de crescimento do cartão”, afirmou.
O empresário Idemir Duarte, proprietário da Marel Móveis Planejados, acredita que o produto tem um campo vasto para crescer no segmento que fica no final da obra. “A procura ainda é baixa na loja para o uso do Construcard, mas vejo um grande potencial no produto. Ainda há desconhecimento dos consumidores sobre essa linha de crédito”, comentou. Na opinião do lojista e prestador de serviços, a abertura de formas de financiamento é um impulsionador do setor de construção civil que vem apresentando números espetaculares nos últimos anos.
É importante observar as taxas de juros
Antes de começar a reforma do novo apartamento, o médico Deodato Santos Ferreira procurou a Caixa Econômica Federal e tomou R$ 23 mil emprestados para a reforma da moradia. “O processo foi rápido e, quando fui à loja, não houve demora alguma. Eu comprei tudo no ato e o lojista recebeu como pagamento à vista. Consegui um bom desconto”, disse. Ele comentou que adquiriu desde produtos básicos até o acabamento. “Comprei com o Construcard todos os armários de casa”, afirmou.
O presidente do Polo Arqdec, André Luis Fernandes, salientou que as lojas devem ficar atentas às formas de crédito que existem no mercado financeiro e que facilitem as compras. “É relevante que os empresários percebam a importância de oferecer linhas que proporcionem aos clientes formas de pagamento dos produtos”, ressaltou.
Especialistas em crédito lembraram que, antes de firmar qualquer empréstimo, os consumidores devem verificar as linhas disponíveis no mercado. Observar as taxas de juros e os prazos de pagamento são fundamentais para que o financiamento não saia caro. Outro cuidado é verificar o nível de endividamento possível dentro do orçamento familiar. (AL/AAN)
SAIBA MAIS
Os limites de empréstimo no Construcard Caixa são no mínimo de R$ 1 mil e, o máximo, varia de acordo com a capacidade de pagamento — não há um teto. A taxa de juros é a TR mais 1,57% ao mês. No Construcard FGTS, os limites de empréstimo variam de R$ 1,250 mil a R$ 25 mil, com taxa de juros de 4,5% a 8,16% ao ano, e a renda familiar é limitada a R$ 4,9 mil na Região Metropolitana de Campinas (RMC). O prazo total da operação é de até 60 meses, no caso do Construcard Caixa, e 120 meses, no Construcard FGTS.

11/02/2010 11:00

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