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09/08/2017

Condomínio cria horta para restringir o despejo irregular de lixo

Exemplo é projeto que busca criar uma proteção natural por meio de horta para restringir o despejo irregular de lixo em área de preservação em Florianópolis.

Plantas medicinais, verduras e frutas: uma pequena horta comunitária em Florianópolis faz parte de um projeto piloto que cria uma barreira natural de descarte irregular de resíduos sólidos na área de proteção da Reserva Extrativista Marina do Pirajubaé (Resex) e transforma quilos de lixo orgânico em adubo para terra.

A coordenadora da Horta e Cultura Vizinhos da Resex é Martha Batista de Lima, de 53 anos. Ela passou a maior parte dos últimos dez anos, período em que mora no bairro Carianos, de olho num farto terreno do condomínio Santa Rita de Cássia com uma inquietação: por que um espaço daquele estava sendo transformado em “lixão”, com acúmulo de entulho, e não estava sendo utilizado para absorver a fertilidade da terra para produzir.

“Eu ficava gritando da minha janela e sempre que via alguém colocando lixo na área eu falava: ‘Não coloca aí não, vai acumular muito lixo, os ratos vão vir pra dentro de casa’. Além disso, colocavam resto de ostra, marisco, casca de camarão tudo neste local. Diante disso, resolvi fazer alguma coisa para mudar esse lugar”, lembra Martha.
Há um ano, no entanto, o cenário mudou na tarefa de proteção à biodiversidade da área protegida. Ela conseguiu reunir outros moradores das redondezas, convocou pelas redes sociais voluntários, pediu apoio para outros projetos que atuam na área, e transformou o local em uma horta comunitária. Hoje com a implantação de práticas da permacultura, há flores, pimentas, salsa, cebolinha, moranguinhos e os pés de verduras para a colheita.

“Já teve casos de vizinhos que estavam doentes e foram buscar camomila, erva-cidreira e capim limão para se tratar. Cada vez mais estamos despertando nos vizinhos o costume do cuidado e até mesmo o prazer de criar e consumo hortaliças orgânicas”, afirma.

As primeiras ações foram feitas em mutirão e com o próprio recurso financeiro para a compra de materiais e de ferramentas. “Construímos uma composteira e um minhocário para o condomínio e depois iniciamos as hortas. Usamos também muito material reutilizado, palets e restos de construção”, lembra.
Nos cuidados, os vizinhos se revezam para fazer o manejo. O próximo passo de melhorias será para incentivar a conscientização ambiental das crianças com a criação de uma casinha na árvore e também desenvolver processos para a captação de água da chuva para utilizar na horta. Martha ainda tem planos de cultivar plantas não convencionais que, segundo ela, já estão caindo no esquecimento popular.

“Não estou fazendo isso por mim ou pelos vizinhos, mas sim pelo mar, pela natureza e pelos animais. Espero que essa pequena ação venha a melhorar e motivar outras atitudes do mesmo modelo e que possam ser multiplicadas por aí afora”, disse.

Além disso, a área exige cuidados específicos de preservação das árvores nativas e o controle das árvores invasoras. “Contamos com a orientação da Floram [Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis] e também cuidamos da melhoria da floresta no local”, afirma.

O projeto amplia a cada dia com propostas para melhorias na área da educação e saúde do bairro. “Cresceu tanto que estamos vendo a possibilidade dele servir de apoio para as escolas do bairro em educação ambiental e também nos postos de saúde para fornecer as plantas medicinais. Nosso desejo é manter o projeto vivo e transformar o local atrativo para as pessoas”, explica Martha.

Fonte: CondomínioSC

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