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21/02/2018

Fechamento de sacadas

A padronização é um requisito fundamental para manter a harmonia arquitetônica do edifício

Síndicos e especialistas indicam passo a passo para a implementação do sistema de fechamento das sacadas no condomínio.

Criadas pela necessidade de refrescar as casas durante as temporadas mais quentes do ano, as sacadas recebem reformulação de conceito na história da arquitetura. Na busca, pelo contrário, da proteção contra chuva e vento, além da intenção por melhor aproveitamento do espaço nos apartamentos, condomínios adotam progressivamente o fechamento de sacadas.

O material mais utilizado para essa aplicação é o vidro, que em suas diversas variações de cor, espessura, formato e tipo, compõe as fachadas dos edifícios, beneficiando moradores para apreciação da vista dos apartamentos, proteção acústica e abrigo de intempéries.

Assembleia

No entanto, qualquer tema que visa alterar a fachada do condomínio requer aprovação em assembleia, visto que o padrão arquitetônico deve ser mantido como um bem coletivo dos condôminos, requisito que valoriza o patrimônio, como explica a arquiteta de Florianópolis, Juliana Pippi: “É imprescindível respeitar a linguagem do condomínio, consultar o arquiteto e o engenheiro responsável pelo empreendimento para verificar o modelo ideal em design e que atenda exigências estruturais”. No modelo a ser aprovado também devem ser definidos os acessórios internos que comporão a sacada – cortinas, cor da parede, quadros, cor de redes de proteção. Esses itens também interferem na harmonia da fachada. Com os detalhes pré-estabelecidos conflitos de interesses e questionamentos entre condôminos são evitados.

O condomínio Aqua Di Mari, no Estreito, em Florianópolis, foi entregue pela construtora com o modelo padrão para fechamento de sacadas estabelecido em Convenção a pedido dos condôminos, conforme relata o síndico Geraldo Luiz Oliveira Silva: “A minha intenção já era fechar a sacada e prontamente me juntei com outros moradores que tinham o mesmo objetivo para fazer a solicitação à construtora. Dessa forma, a construtora já requisitou o parecer do arquiteto. Foi mais prático para nós. Deixamos a critério para que cada condômino se responsabilize pelo seu orçamento e 50% das unidades fizeram a obra”, conta. Os condôminos também previram o tipo de rede em observância à segurança das crianças. “Definimos a cor da malha para ficar padronizado”, destaca.

No condomínio Residencial e Comercial Amadeus, em Florianópolis, a síndica Sheila Delfino explica que os condôminos aprovaram em assembleia um modelo já aplicado em 70% dos apartamentos. “Foi bem fácil aprovar, porque a maioria tinha a mesma ideia. A decisão foi unânime”. A síndica opina que o tema preço não deve entrar em discussão na reunião de aprovação. “Não envolvemos valores nessa etapa. Cada condômino tem a opção ou não de executar a obra e cabe a cada um contratar a empresa para fazer o serviço. Não podemos limitar o condômino que quer investir em uma sacada de qualidade por termos avaliado modelos mais simples pelo preço”, salienta. Os condôminos aprovaram o modelo que melhor atendia as necessidades dos apartamentos: “O benefício acústico faz muita diferença. Quem mora em unidades mais baixas era afetado pelo barulho da rua e quem mora em cima pelo ruído do vento. Quem aplicou o fechamento está satisfeito”, conta a síndica.

Já para o administrador Genilson da Silva, de uma empresa de Florianópolis que realiza o serviço de envidraçamento de sacadas, a avaliação dos preços deve ser debatida durante aprovação do modelo em assembleia. “Dessa forma os condôminos podem ter consciência da variedade também com relação aos preços e se prevenirem de surpresas no orçamento”, observa.

No Edifício Residence Elegance, em Florianópolis, a síndica Andreia Carla da Silva conta que o quesito preço foi inserido em debate da assembleia para aprovação do modelo. “As empresas vieram apresentar o projeto. Avaliamos preço e qualidade. Em seguida fizemos votação e foi fácil decidir. Embora tenhamos decidido por um projeto de uma empresa específica o condômino pode optar por executar o serviço com outro fornecedor desde que respeitados os padrões”, relata.

Cotações

Etapa importante para a execução do projeto de fechamento de sacadas nos apartamentos do condomínio, realizada durante ou após aprovação em assembleia, é a busca pelo fornecedor que melhor atenda as necessidades. Cada condômino é responsável por contratar e executar o seu projeto, desde que atenda o modelo estabelecido, no entanto é possível aproveitar a demanda coletiva para conseguir pacotes de desconto. “Nós conseguimos um preço bem atrativo fechando 20 serviços”, revela a Síndica Sheila.

O administrador Genilson da Silva alerta para os cuidados na hora da contratação do fornecedor. “Com os desafios econômicos atuais, empresas com pouca experiência em envidraçamento de sacadas em edifícios acabam se aventurando e o resultado é um serviço mal feito”. Para tanto, Genilson recomenda que os condôminos confiram outros serviços já executados pelo fornecedor e constatem o tempo de atuação da empresa no ramo. “Tem empresas que dão cinco anos de garantia, mas não tem nem cinco anos de vida”, destaca.

A tecnologia, materiais aplicados, serviço de montagem e manutenção também são pontos a serem observados na requisição dos orçamentos, alerta a arquiteta Juliana Pippi: “Importante conferir se a tecnologia está no mercado há bastante tempo, o que garante mais confiabilidade. A depender da qualidade no serviço de montagem, uma vedação insuficiente pode produzir ruído do vento, o vidro pode chacoalhar. O arquiteto também pode orientar o condomínio nessa decisão”, observa.

Segundo Genilson da Silva, há empresas de envidraçamento de sacadas que terceirizam kits prontos nos quais seus itens não se complementam como deveriam. “Os itens acabam não se conectando. Roldanas que não encaixam corretamente com os trilhos, interferindo no deslizamento das cortinas de vidro”, exemplifica. Para tanto, o administrador orienta que os condôminos busquem uma empresa especializada, que tenha fabricação de material próprio. “Com o tempo as empresas vão aperfeiçoando seus componentes. É importante saber quem é o fornecedor do material”, pontua.

A garantia do produto e a manutenção também devem ser levantadas previamente. “Questionar a outros clientes da empresa como é o serviço de assistência técnica. A qualidade deve ser mantida”, acrescenta Genilson e destaca que, segundo a NBR 16259 nenhuma empresa de envidraçamento pode garantir ao consumidor estanqueidade: “por melhor que o produto seja, e realmente em sua aplicação proteja 100% da chuva, a empresa não pode oferecer essa garantia”.

Tipos

Há três tipos de sistemas de envidraçamento: o sistema europeu – mais solicitado no mercado -, que permite a abertura total da varanda, por folhas de vidro que se recolhem completamente em um dos cantos; o sistema Stanley, que possibilita abertura parcial, em que as folhas ficam escondidas atrás de um painel fixo; e o sistema Versatik, que oferece menor vão de abertura, se assemelha a uma grande janela com duas laterais fixas e lâminas centrais que correm por um único trilho.

De acordo com a arquiteta Juliana Pippi, são requisitos para a escolha do tipo de material a eficiência e a estética. Os vidros, matéria-prima mais utilizada para o fechamento de sacadas, podem variar em cores, tipo de material e espessura. O condomínio elege a cor que harmoniza com o design da fachada, geralmente indicada pelo arquiteto. Há uma infinidade de tons, entre esses os mais tradicionais: fumê, bronze, verde e incolor. “Há opções de climatização interna do ambiente ou a preferência pela iluminação externa à escolha dos condôminos”, diz Pippi.

A outra decisão é também escolher entre o vidro temperado ou laminado. De acordo com o administrador Genilson da Silva, o vidro temperado é cinco vezes mais resistente, porém estilhaça quando quebra. Já o laminado, embora mais frágil, somente trinca sem gerar cacos. “É norma do Corpo de Bombeiros o uso do material laminado para o guarda-copo – área mais baixa da sacada”, diz. A espessura é adaptada conforme necessidade de cada prédio, em que é calculada a pressão do vento, capacidade estrutural, entre outros aspectos.

A síndica Andreia Carla da Silva, do Edifício Residence Elegance, destaca que as preocupações dos condôminos na escolha do tipo de vidro foram com a estética e segurança. Ela relata ter sido um processo fácil, devido às diversas opções de escolha. “O mercado está bem fácil e abrangente. As empresas oferecem muitas variedades. Conversamos com a construtora para garantir a saúde estrutural”, complementa.

Estrutura

Está em vigor desde fevereiro de 2014 a NBR 16259 que regulamenta a instalação de sistema de envidraçamento de sacadas. A norma define diretrizes de instalação, materiais, cálculos e requisitos que asseguram a estrutura. Portanto, todo projeto deve observá-la.

Também a NBR 16280, norma de reformas, entrou em vigor no dia 18 de abril de 2014 e estabelece que “toda reforma de imóvel que altere ou comprometa a segurança da edificação ou de seu entorno precisará ser submetida a laudo técnico assinado por engenheiro ou arquiteto”. De acordo com a arquiteta Juliana Pippi, as construções mais modernas já preveem capacidade de peso para alterações nas sacadas, no entanto enfatiza a necessidade do responsável técnico. “Ainda assim, para qualquer alteração de reforma é necessário consultar o arquiteto e engenheiro responsáveis pelo condomínio”, enfatiza.

O síndico Geraldo Luiz Oliveira, do condomínio Aqua Di Mari, no Estreito, em Florianópolis, observa o aspecto segurança na escolha dos fornecedores. “Hoje as empresas adotam mais ou menos a mesma linha de trabalho. O fechamento de uma sacada é questão de segurança. Como se trata de questão de segurança é preciso estar atento aos sistemas, se a empresa atende as normas”, conclui.

Fonte: CondominioSC

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