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04/10/2017

Só 0,2% dos brasileiros estão na bolsa

Rentabilidade alta da renda fixa e perfil conservador afastam investidores do mercado de capitais; situação deve mudar

A participação dos brasileiros (pessoas físicas) na B3 - antiga BM&FBovespa - é inexpressiva. No final de agosto, a bolsa brasileira tinha próximo de 594 mil contas desses investidores. O número representa 0,2% da população total ou 0,5% da população economicamente ativa do País. Neste ano, em que o principal índice da B3, o Ibovespa, ultrapassou a marca histórica dos 76 mil pontos, as pessoas físicas foram responsáveis por apenas 8,7% das compras e 9,6% das vendas de ativos.
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A maior participação ficou por conta dos investidores estrangeiros, que responderam por 23,7% das compras e 21,5% das vendas. Na sequência, estão os institucionais brasileiros, com 13,4% e 14,5%, respectivamente. Nesta categoria, ficam os fundos de investimentos e as entidades fechadas e abertas de previdência complementar. As instituições financeiras do País participaram com 3,6% das compras e 3,7% das vendas. E, por último, as empresas brasileiras, com 0,3% e 0,5%, respectivamente

Lucas Moratto, sócio e analista de investimentos do Fundo de Investimentos em Ações (FIA) Real Investor, de Londrina, atribui ao histórico de juros altos a participação tão pequena das pessoas físicas. "Historicamente vivemos com taxas de juros altas. Parece que existe uma barreira psicológica que todo investidor procura 1% de rentabilidade ao mês (em produtos de renda fixa). Foram raras as situações que o brasileiro viveu com juros baixos e isso o acomodou", afirma.

O professor da Escola de Administração da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e sócio da Vokin Investimentos, Guilherme Ribeiro de Macêdo, concorda. "Uma pessoa que investia em renda fixa ganhava um por cento ao mês até há pouco tempo, quando a Selic estava alta. Com R$ 1 milhão aplicados, teria R$ 10 mil de rentabilidade por mês", calcula.

Nos Estados Unidos, onde, segundo ele, 70% da população investe em bolsa, a situação é bem diferente. "Um milhão de dólares lá rende só 100 dólares por mês (em renda fixa)", ressalta. Por isso, os americanos recorrem à renda variável.
Correndo mais risco, os investidores brasileiros poderiam ganhar muito mais na bolsa, garantem os especialistas. Ainda mais num cenário de juros em queda. "Hoje, a renda fixa tem rentabilidade de 8,25% ao ano. A rentabilidade de nosso fundo está em 22% ao ano", declara Moratto.

EDUCAÇÃO
Além da questão dos juros, o diretor executivo da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), Andrew Frank Storfer, aponta a falta de educação financeira do brasileiro como explicação para a baixa participação na B3. "Isso o faz conservador, avesso a risco", afirma.

O diretor diz que o brasileiro é fã da caderneta de poupança pela simplicidade de produto. "Até mesmo o Tesouro Direto, que é um investimento muito seguro, assusta porque tem custódia. É preciso explicar o que é isso para o investidor." Na bolsa, a situação é ainda pior porque é preciso entender operações complexas e se acostumar com nomenclaturas, muitas vezes em língua inglesa.

Céu de brigadeiro nos próximos meses
O professor Guilherme Ribeiro de Macêdo afirma que a procura dos brasileiros pela bolsa aumenta nos momentos de alta, como agora. E que deveria ser o contrário. "Melhor teria sido entrar no ano passado, no auge da crise, quando a bolsa estava na casa dos 50 mil pontos", alega. Mas ainda, segundo ele, é um bom momento de investir porque a tendência é de maior valorização. "Tem de investir agora, não se deve esperar mais", aconselha.
Lucas Moratto diz que a procura por cotas do Real Investor vem crescendo, conforme os juros caem e derrubam a rentabilidade da renda fixa. "Estamos sentindo mais procura desde maio, mas a tendência é aumentar mais." O analista de investimentos calcula que, com Selic a 7% ao final do ano, a média de rentabilidade líquida da renda fixa será de apenas 0,48% ao mês. "Nesse sentido, acho difícil um investidor não procurar a bolsa como um caminho para tentar rentabilizar melhor seu patrimônio", declara.
O diretor executivo da Anefac, Andrew Storfer, diz que o mercado enxerga um cenário de juros baixos por pelo menos dois anos. E que isso irá tirar o investidor brasileiro da zona de conforto. "Vai ganhar uma certa impulsão para risco visando mais rentabilidade." Ele declara que uma ação de empresa é sempre "perspectiva de rentabilidade futura". E que, além dos juros baixos, outros indicadores macroeconômicos dão sinais de que as companhias vão se valorizar mais.

POLÍTICA
Na visão de Macêdo, não há sinais ruins para o mercado nos próximos meses, a menos que ocorra uma catástrofe como guerra entre Estados Unidos e Coreia. No front interno, o professor acredita que as eleições presidenciais começarão a ter efeito - positivo ou negativo - sobre a bolsa somente no segundo semestre de 2018. Caso o ex-presidente Lula seja candidato e permaneça em alta nas pesquisas, a tendência é de o mercado de capitais encolher. Também não será bom, na opinião do professor, se houver um fortalecimento maior da candidatura do deputado federal Jair Bolsonaro. "Será horrível para o mercado porque representa um outro extremo, que pode dividir o País", avalia.
Macêdo acredita que hoje o queridinho do mercado é o prefeito de São Paulo, Jorge Dória, que ameaça deixar o cargo para disputar a Presidência. (N.B.)

Fonte: Folha de Londrina

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